Remédio para artrite reduz em 37% risco de morte por covid

Um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein com um medicamento para artrite reumatoide da farmacêutica Pfizer apontou que a medicação, que tem a capacidade de modular o sistema imunológico, conseguiu reduzir em 37% o risco de morte ou falência respiratória em pacientes com quadro moderado que foram internados com pneumonia associada à covid-19. A descoberta foi publicada nesta quarta-feira, 16, no periódico científico The New England Journal of Medicine.

O estudo teve início em outubro do ano passado e a medicação utilizada foi o Tofacitinibe, vendido pelo nome comercial Xeljanz, que demonstrou impacto na tempestade de citocinas, uma reação exacerbada do sistema imunológico que pode afetar o funcionamento de órgãos vitais. Esta grave complicação, que pode atingir pacientes com a covid-19, agrava o estado de saúde do paciente e pode levá-lo à morte.
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Paciente de Covid-19 é tratado em UTI de hospital em São Paulo 17/03/2021 REUTERS/Amanda PerobelliFoto: Reuters

"A nossa hipótese era: se pegar um paciente com PCR positivo e pneumonia, nos primeiros três dias de internação, der o tofacitinibe e conseguir evitar que essa pessoa deteriore o quadro clínico, é possível reduzir o risco de morte ou falência respiratória", explica Otávio Berwanger, diretor da Academic Research Organization (ARO) do Einstein.

O estudo Stop-Covid, randomizado e duplo cego, analisou 289 pacientes em 15 hospitais parceiros e mostrou queda de agravamento e risco de morte em relação aos pacientes que tomaram placebo.

"Nesse estudo, todos os pacientes recebiam o tratamento padrão, as medidas de suporte recomendadas, mas, em cima disso, randomizamos as pessoas, metade recebeu placebo e metade, tofacitanibe. A gente viu que, nesse grupo de pacientes, ao longo de 28 dias, houve uma redução de 37% no risco de morte ou de falência respiratória. Confirmamos o benefício do uso do tofacitinibe para evitar a tempestade de citocinas e o benefício dessa medicação para tratar esses pacientes."

O fato de o medicamento ter agido em pacientes que estavam sendo medicados - cerca de 90% estavam sendo tratados com corticoides, como a dexametasona - é outro aspecto positivo, de acordo com Berwanger.

"Uma coisa interessante é que funcionou com os tratamentos convencionais. Outros estudos foram feitos com imunomodulador. A diferença desse é que o benefício ocorre em cima do corticoide. O resultado é muito motivante e positivo. E neste estudo, a medicação foi muito segura. Os eventos adversos graves foram semelhantes ao do grupo placebo."

Embora o resultado seja animador, Berwanger destaca que isso não significa que se trata de um novo tratamento para combater a covid-19 nem que qualquer paciente pode tomá-lo. "A medicação foi utilizada em pacientes que não tinham contra-indicações, na dose correta, com acompanhamento diário dos pesquisadores e em ambiente controlado e no hospital. Neste momento, está saindo o resultado da pesquisa."

Diretora Médica da Pfizer Brasil, Márjori Dulcine destaca que a medicação não tem autorização para ser utilizada contra a doença.

"É muito importante ressaltar que o medicamento não foi aprovado ou autorizado para uso por nenhuma agência regulatória no mundo para o tratamento na covid-19, uma vez que o estudo publicado é o primeiro randomizado, multicêntrico a avaliar o seu impacto no tratamento da doença. Sua eventual utilização no arsenal anticovid dependerá da extensa avaliação desses dados por parte dos órgãos reguladores e autoridades de saúde."

Segundo Márjori, no Brasil, ele é indicado para o tratamento da artrite reumatoide, artrite psoriásica e colite ulcerativa.

Em 2017, o medicamento, de alto custo, foi incorporado ao rol de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com artrite reumatoide que não tiveram respostas positivas com um ou mais tratamentos capazes de mudar o curso da doença.
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