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Ex-soldado, ferido em acidente do Exército em Barras, enfrenta dificuldades


Cássio Ângelo Amador da Silva estava no grave acidente com comboio do Exército Brasileiro, que matou um militar e deixou outros 25 feridos. Na época, ele tinha 18 anos. Hoje, pouco se recorda daquele momento ou de acontecimentos anteriores a esse fato, Cássio, inclusive, não recorda das vivências no Exército. A família teve a reforma do ex-soldado negada e passa por dificuldades financeiras, já que o atestado médico o considerou incapaz para o trabalho. A mãe precisou largar o emprego para cuidar do filho. 

"Não lembro. Não consigo. (Só sei) porque tenho fotos, vídeos gravados no celular", diz o jovem, que ficou com dificuldade na fala.  Ele mora com a mãe na Vila Brasilar, na região do Porto Alegre, zona Sul de Teresina. Durante os últimos três anos, Francisca Silva precisou abandonar o trabalho para cuidar do filho e passou a enfrentar dificuldades para que ele continue com o tratamento. Os dois viviam do salário que Cássio recebia no serviço militar. 

A mãe esperava a aposentadoria do ex-soldado para continuar garantindo o sustento da família, mas, no início desse mês, o benefício foi negado e o único auxílio prometido é o plano de saúde. "Eles destruíram  o sonho do Cássio. É muito revoltante porque o Cássio hoje tem tremor na cabeça, ele toma quatro remédios por dia, fora os outros que são tarja preta". 

Em nota, o 2º Batalhão de Engenharia de Construção (2º BEC) diz que Cássio foi considerado incapaz para o serviço militar, porém a alega que a inspeção médica não considerou o jovem inválido, contraindo a lei que garante a reforma militar. 

O laudo médico assinado pelo neurologista  Emidio Fernandes atesta que o jovem sofreu traumatismo craniano encefálico, que desde os primeiros momentos de recuperação demonstrava déficit de memória, vertigens, distúrbios comportamental e psiquiátrico. Esse atestado considera Cássio incapaz para o trabalho. 

Outro lado, mais recente,  de 16 de junho de 2020, confirma o déficit cognitivo e aponta que as atividades de vida civil são limitadas desde a época do acidente, que aconteceu em 9 de julho de 2017 com um caminhão do Exército Militar entre os municípios de Barras e Cabeceiras. 

O 2º BEC destaca que o processo de Francisca Silva foi concluído, deixando indignação e desalento. "Era o grande sonho dele. Era crescer, ser operador de máquina, queria fazer, aquilo, me ajudar. E hoje ele se encontra assim, com o sonho destruído", disse a mãe de Cássio, que vive uma situação difícil, pois a negação da reforma do ex-soldado inviabiliza a vida dele daqui pra frente porque ele não possui condições de trabalhar. A mãe que trabalhava como diarista agora precisa se dedicar a cuidar do filho. Hoje, a família não possui condições financeira de pegar um transporte e continuar o tratamento multidisciplinar de Cássio. 

Nesse mesmo acidente, Pedro Henrique Pimentel, de 18 anos, morreu. A família de Pedro não foi indenizada e não recebeu o Seguro DPVAT (Danos Pessoais por Veículos Automotores Terrestres) pela morte do jovem. Procurada pela equipe do Jornal do Piauí, a mãe do ex-soldado não quis gravar entrevista, demonstrando revoltada com o desfecho do caso.   Sobre esse ponto, o 2º BEC disse que o processo tramita em juízo competente. 

Na cabine do caminhão estava o motorista Denilson Sousa Cunha e o responsável pela tropa, tenente Jader Batista.O comboio realizava serviços na rodovia BR-222, obra do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a cargo do 2º BEC.

No dia 30 de janeiro de 2020, o motorista foi julgado pelos crimes de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, e embriaguez ao volante e no serviço. Por unanimidade, p réu foi condenado há três anos e seis meses em regime aberto. A defesa recorreu da sentença e responde o processo em liberdade. 

Em nota, o 2º BEC também informou que o Ministério Público Militar havia aberto inquérito para apurar a responsabilidade do oficial que comandava a tropa, mas, depois das investigações, o inquérito foi arquivado. A decisão foi acatada pela Justiça Militar. 

O BEC acrescenta que em 2018 o tenente Jader Batista foi desincorporado do Exército. A produção do Jornal do Piauí, que veiculou a reportagem nesta quinta-feira (25), buscou mais informações com o Ministério Público Militar, mas o procurador chefe, Antônio Cerqueira, afirmou que esclarecimento sobre os processos em trâmite na  Justiça Militar da União só podem ser repassadas às partes envolvidas

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