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Quem é João Gomes, o cantor de forró que chegou ao topo aos 18 anos


"Rapaz, é muito abençoado quem tem música rodando nessas 'trends'". Esse foi um dos primeiros pensamentos de João Gomes ao entrar no TikTok. Mas o que ele não sabia é que, meses depois, ele não só teria uma "trend" para chamar de sua, como estaria no topo das paradas do Brasil.

"Meu Pedaço de Pecado" é a música mais tocada no Spotify desde 1º de julho, exatamente um mês depois de ser lançada na plataforma. Veja entrevista acima.

O sucesso pode ser explicado por diferentes fatores: a voz grave do garoto de 18 anos, natural de Serrita, em Pernambuco, a força renovada do forró de vaquejada e o "ãhn ãhn ãhn" do refrão, que ajudou o hit a viralizar no TikTok.

Na rede social, as pessoas começaram a usar o trecho com vídeos de situações cotidianas ou inesperadas. Alguém que nem beijou o crush ainda, mas já está apaixonado, um casal que achava que não ia ser nada sério, mas está junto há anos, e por aí vai....

Mas a intenção de João era sentir o ritmo da música, sem nenhum outro sentido por trás.

"Tem horas que eu quero brincar, só ouvir o som mesmo. A criatividade veio da galera com as brincadeiras, acho que o dom é de quem está ouvindo".

Gomes escreveu a música com o amigo e produtor Daniel Mendes, que já tinha o verso "Tô querendo de pegar de novo..." na cabeça.

"Eu olhei assim e perguntei 'beijar não é melhor, não?'. Daí a gente foi acertando como ia ficar, mas em pouco tempo terminamos o verso", explica ao G1.

O cantor justifica que o começo é mais acelerado, como uma "matraca", para criar momentos diferentes na música. "Achei muito meloso, não queria continuar daquele jeito, tinha que ser ligeiro".

A rapidez também gerou ruídos com a voz grave e ainda pouco articulada do cantor. "Quando alguém lançava um vídeo legendado, o povo falava 'ainda bem que alguém traduziu a música'", diz, levando na esportiva.

Como tudo começou


João estudava agropecuária no Instituto Federal da Zona Rural de Petrolina, em 2019, e topou cantar com os amigos que tocavam em uma reunião da turma.

"O povo foi sentando ao redor assim e foi gostando. Eu disse: 'Rapaz, esse negócio aqui de cantar forró é bom'".

Eles se apresentaram no São João daquele ano e o repertório que era para ser de cinco músicas, foi aumentando, aumentando...

"Cantei meio mundo de música, até as que não sabia inteira, eu cantei. Sabia só o refrão e ficava lá cantando para a galera da escola".

Depois de sentir o gostinho, o garoto começou a postar vídeos no Instagram. Primeiro, só para os amigos, mas depois no perfil aberto. "Fui tentando caprichar nos vídeos, trazer coisas novas e diferentes", lembra.

Dedicado, ele diz que, mesmo com poucos seguidores, fazia os vídeos com carinho e ficava preocupado com qual música ia gravar no dia seguinte, se os amigos músicos poderiam gravar. "Foi cativando, cativando e, agora, Deus abençoou bastante".

Ainda criança, ele já tinha cantado no coral da escola e era um dos únicos alunos que amava quando a professora pedia para a turma escrever poesias.

'Canto para ser remédio'

A dura realidade de quem trabalha no campo é motivo de inspiração para João, que nasceu na capital do vaqueiro, Serrita (PE). Ele mora em Petrolina desde pequeno, mas foi na cidade natal que teve mais contato com a cultura de vaquejada.

"Trabalhei uns poucos dias no campo, mas sei que é pesado. Minha mãe e meu avô sempre trabalharam com isso. Foi a escola que tive foi ver o quanto esse pessoal sofria, mas mesmo assim, no final de semana ia em festas, se divertindo e tudo", diz.

"É por isso que faço uma música mais animada, porque a música é remédio depois de um trabalho pesado. Quando eu canto 'Levanta cedo para labuta que eu tô pronto', isso não é pra mim".

"Canto para esse povo, canto para ser o remédio dessa galera que sofre demais, na labuta, todo dia", afirma.

Ao falar em sertão, João lembra automaticamente dos ídolos Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Kara Veia. "Todas as palavras que uma canção de vaquejada pode ter, eles já usaram".

Ele também fica feliz com a possibilidade de apresentar novas músicas no estilo e até canções antigas para os mais jovens.

"Sei que se a música for boa, como foi no tempo deles, vai trazer alguma coisa para o coração de quem é mais velho e vai encantar quem é mais novo. Tem muita música boa ainda, muita mesmo".

Ele também tem como referências Belchior e Cartola, artistas que encontrou ouvindo música na internet. "Procurei a fundo saber quem eram e gostei bastante das músicas, bateu no meu coração, não teve jeito de não gostar".

Forró de vaquejada em alta

O nome de João se junta ao de Tarcísio do Acordeon, outro cantor do gênero que surgiu no ano passado. Os dois artistas foram lançados pelo mesmo empresário de Petrolina, Jeovane Guedes.

Sem meses de planejamento ou longas reuniões de marketing, os trabalhos dos dois artistas chegaram no mercado rapidamente e, de cara, fizeram muito sucesso.

João conheceu Guedes em fevereiro e o empresário já saiu da reunião com "Eu Tenho a Senha" para Tarcísio gravar. Era a primeira composição de João, que não cobrou nada pela música, só falou que queria uma oportunidade.

João entrou no estúdio pela primeira vez na vida na metade de maio e, em dois dias, gravou sua parte do álbum "Eu Tenho a Senha".

Praticamente uma semana depois, o disco já estava disponível no Sua Música, agência e distribuidora musical forte do Nordeste.

"O ramo da gente é muito rápido. O forró trabalha diferente do sertanejo, diferente de outros ritmos, sabe? A gente tem que estar sempre atualizando, sempre vendo o que está tocando", explica Guedes.

"Eu sentia que sempre teve uma brecha para essa linha vaquejada, mais sertão mesmo. Agora, o Brasil está começando a aceitar novos ritmos, sem ter aquele preconceito. O pessoal quer músicas e melodias boas para se identificar com elas".

Além de Tarcísio e João, a empresa de Guedes também administra as carreiras de Vitor Fernandes e Biu do Piseiro.

Expectativas não eram tão altas


Pé no chão mesmo com todo sucesso, João agradece a Deus repetidas vezes e diz que tudo que está vivendo "é muito mais do que pediu".

"Pensava que quando fosse gravar um CD, ia ter 10 mil seguidores e 5 mil pessoas iam ver... E estava tudo bem para mim", diz.

"Quando 1 milhão de pessoas ouviram o álbum, comecei a pular, bater nas paredes... Quem estava ao redor sabe a alegria que foi". E os números já vão muito além disso:

Todas as dez músicas do álbum estão no ranking das 200 mais tocadas do Brasil no Spotify.
"Meu Pedaço de Pecado" foi reproduzida 29 milhões de vezes e "Aquelas Coisas" estava em 4º lugar nesta quinta (15) no Spotify e na Deezer.
Já o DVD com cinco músicas, lançado na última sexta (9), acumula 13 milhões de visualizações no YouTube.
No Instagram, o cantor saiu de 10 mil seguidores em março para 2,5 milhões.
O show gravado em Fortaleza foi uma das poucas vezes que João esteve em um palco, ainda sem público.

Ele também participou de duas lives de São João, com Xand Avião e em uma na programação junina Sua Música. "Foi muita pressão, mas tenho que ir para cima dos desafios".

O cantor já conseguiu dar o presente para os músicos e ganhou o ônibus para viajar com a banda nesta semana. As cenas foram parar entre os assuntos mais comentados do Twitter.

Mesmo com a carreira caminhando a passos rápidos, João ainda tem dificuldade de imaginar que pode ter milhares de fãs espalhados pelo Brasil esperando por seus shows.

"Tá aí a questão que a gente só vai descobrir no primeiro [show]. Quando o mercado abrir que vou descobrir se a galera está esperando um show meu. Fico naquela expectativa, será que vai ser assim?". Eu conto ou vocês?

"Desde que conheci alguns companheiros de banda, meu sonho sempre foi tornar possível o deles também. Comprar uma sanfona melhor pro sanfoneiro, uma pedaleira para o guitarrista... Isso para mim é a maior alegria".

Por Gabriela Sarmento/ G1
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