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14% dos domicílios do PI tinham como renda apenas Auxílio Emergencial

Até 14,07% dos domicílios do Piauí tiveram como única renda durante a pandemia da Covid-19 apenas o dinheiro do Auxílio Emergencial, do Governo Federal, que começou com R$ 600 mensais e terminou em dezembro com R$ 300 mensais.

O Piauí foi o estado do Brasil com maior percentual de domicílio cuja única renda era o Auxílio Emergencial (AE).

Em novembro, 9,59% dos domicílios do Piauí tinham como única renda o Auxílio Emergencial; em outubro esse percentual ficou em 10,55%; em setembro ficou em 13,33%; em agosto, 13,75%; em julho, 14,07%; em junho, 13,18%; e em maio, 8,68%.

Em novembro, os piauienses receberam do Auxílio Emergencial, R$ 310 milhões; enquanto o rendimento das outras fontes foi de R$ 870 milhões.

Durante o mês de novembro no Piauí, a massa salarial dos piauienses efetiva foi de R$ 1,52 bilhões, quando a habitual era de R$ 1,57 bilhões, uma diferença de 0,06.

Os dados são da pesquisa "Os efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial: os resultados dos microdados da PNAD (Pesquisa Nacional dos Domicílios) Covid-19 de novembro", do pesquisador e técnico Sandro Sacchet de Carvalho, da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


O estudo revela que os trabalhadores brasileiros receberam 93,7% da renda habitual em novembro. Pesquisa do Ipea sobre o mercado de trabalho na pandemia aponta que 4,32% dos domicílios sobreviveram apenas com o valor do auxílio emergencial. O Ipea analisou os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o mercado de trabalho e o impacto do auxílio emergencial na renda dos brasileiros. 

Os dados divulgados nesta semana revelam que, em novembro de 2020, os rendimentos médios efetivos da população corresponderam a 93,7% da renda média habitual. Os trabalhadores por conta própria foram os mais atingidos: receberam 85,4% do habitual.

A análise, feita com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que os trabalhadores formais foram os menos atingidos pelos efeitos adversos da pandemia na renda em novembro. Os trabalhadores do setor privado com carteira assinada e os funcionários públicos receberam 96,9% do habitual. 

Trabalhadores do setor privado sem carteira assinada auferiram efetivamente 91,6% dos rendimentos usuais, enquanto os trabalhadores do setor público com carteira assinada e servidores do setor público informais receberam, respectivamente, 98,4% e 98,9% de sua renda habitual.

Em novembro, 27,45% do total de domicílios do país permaneciam sem nenhuma renda do trabalho efetiva, contra 27,86% registrados em outubro. De acordo com o estudo, 4,32% dos domicílios (cerca de 2,95 milhões) sobreviveram apenas com os rendimentos do auxílio emergencial (AE) no penúltimo mês de 2020. Esse resultado representa uma queda de 0,44 ponto porcentual em relação a outubro, o que equivale a 300 mil domicílios.

"A proporção de domicílios exclusivamente dependentes do AE foi muito maior na região Nordeste, ultrapassando os 10% no Piauí", afirma Pedro Sacchet.

Além disso, em média, após considerar o AE, a renda domiciliar ultrapassou em 1% a que seria caso houvesse recebido rendimentos do trabalho habituais. Esse impacto foi maior entre os domicílios de renda baixa, em que, após o AE, os ren­dimentos foram 19% maiores do que seriam com as rendas habituais. Contudo, o aumento causado na renda domiciliar média causada pelo AE foi R$ 64 menor em novembro do que em outubro (R$ 229,77 contra R$294), e, com isso, mes­mo com o aumento da renda domiciliar do trabalho efetiva, a renda média total domiciliar caiu de R$ 3.851 e outubro para R$ 3.783 em novembro, uma queda de 1,76%. Entre os domicílios de renda muito baixa, a queda foi de 2,8% (de R$ 1.106 para R$ 1.075). Os dados mostram também que cerca de 70% dos domi­cílios receberam em novembro a metade ou menos do valor do AE de setembro, proporção que entre os domicílios de renda muito baixa alcançou 80%.

Sobre a ótica de dos rendimentos médios efetivos e habituais por Unidade da Federação (UF), todos os estados já apre­sentam uma renda efetiva maior que 90% da renda habitual.

Em novembro, os menos atingidos foram Acre, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, onde a renda efetiva superou 96% da renda habitual. 

O crescimento dos rendimentos efetivos entre outubro e novembro variou bastante entre os estados, com resultado negativo para Amapá e Sergipe, que apresentaram queda da renda efetiva de 4,6% e 4,1% respectivamente.

Os dados da PNAD Covid-19 de novembro confirmam que, quando considera­mos a inserção dos indivíduos no mercado de trabalho, nota-se que as diferenças continuam mais acentuadas. 

Conforme já observado nos meses anteriores, os trabalhadores não formalizados permaneceram mais duramente atingidos pela pandemia. 

Os trabalhadores por conta própria receberam efetivamente apenas 85,4% do que habitualmente re­cebiam (contra 83,2% no mês anterior), tendo seus rendimentos efetivos médios alcançado apenas R$ 1.626,29. Entretanto, nota-se uma recuperação mais acentu­ada, pois esse valor representa um crescimento de 1,7% da renda efetiva em relação a outubro. Já os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada receberam efetivamente 91,6% do habitual (90,7% no mês anterior), porém apresentando uma queda de 1,7% na renda efetiva. 

Os empregadores também continuaram re­lativamente mais atingidos, tendo recebido 90,5% do habitual, mas apresentado ainda um rendimento médio acima de R$ 5.100. Em contrapartida, os trabalha­dores formais foram consideravelmente menos atingidos. Trabalhadores do setor privado com carteira receberam em média 96,9% do habitual (pouco acima do valor do mês de outubro), e os do setor público contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 98,4%. Entre militares e estatutários, a renda efetiva alcançou 98,7% da renda habitual; entre os trabalhadores informais do setor públi­co, a renda efetiva foi 98,9% do habitual. Ou seja, entre esses trabalhadores já não se observam mais impactos significativos da pandemia nos rendimentos.

Essas diferenças por posição na ocupação se refletem igualmente quando considera­mos o setor de atividade.

Como se observou no mês anterior, os trabalhadores mais atingidos pela pandemia ainda se encon­tram nos setores de serviços que apresentam um alto grau de informalidade e que dependem em maior medida da circulação das pessoas, mas mantêm-se os sinais de recuperação. 

Os cabeleireiros, trabalhadores de tratamento de beleza e serviços pessoais receberam efetivamente apenas 82,3% da renda habitual, auferindo uma renda média de somente R$ 1.282, porém contra uma razão de rendimentos de 79,8% no mês anterior e apresentando um crescimento da renda de 3,7%. 

Outro setor ainda duramente afetado foi o de atividades artísticas, esportivas e recreação, com a renda efetiva ainda somente 83,5% da habitual, mas com crescimento da renda efetiva de 9,4%.

Entre outros setores duramente afetados, mas que apresentaram maior recupera­ção, estão serviços de alimentação (2,7%) e transporte de passageiros (1,8%). Os trabalhadores menos afetados encontram-se na administração pública, na indústria extrativa, nos serviços de utilidade pública, na educação, em serviços financeiros e armazenamento, nos correios e nos serviços de entrega.

Segundo Sandro Sacchet, uma das principais vantagens da PNAD Covid-19 é a investigação por domicílio das rendas de outras fontes, entre as quais se incluem os AEs em virtude da pan­demia. 

Assim como em outubro, o forte impacto da pandemia é notado devido ao fato de que ainda 27,45% dos domicílios não apresentaram nenhuma renda do trabalho. De acordo com a PNAD Contínua, esse valor era, no primeiro trimestre de 2020, de 23,5%. Naturalmente, a proporção de domicílios sem renda diminui considera­velmente quando acrescentamos as rendas de outras fontes, caindo para 5,53%, o que significa que 21,9% dos domicílios (ou cerca de 15 milhões) recebem apenas rendas de outras fontes.

Em novembro, de acordo com os dados da PNAD Covid-19, 4,32% dos domicílios (cerca de 2,95 milhões) sobreviveram apenas com os rendimentos recebidos do AE, o que representa uma queda de cerca 0,44 p.p. em comparação com os meses anteriores A PNAD Covid-19 revela também que o AE elevou a proporção dos domicílios de renda média. 

Nota-se que a propor­ção de domicílios que apenas receberam o AE vinha se reduzindo de forma muito lenta desde junho, quando alcançara 6,57%, sendo o mês de outubro a primeira queda mais substancial. A pesquisa mostra também que a proporção de domicílios que sobreviveram apenas com o AE é significativamente maior no Nordeste e al­guns estados do Norte. 

Por exemplo, no Amapá, essa proporção atingiu 12,87% em novembro, representando uma elevação em relação ao mês anterior. Os demais estados já apresentam uma proporção de domicílios exclusivamente dependentes do AE abaixo de 10%. Destaca-se a queda da proporção de domicílios exclusiva­mente dependentes do AE na Bahia, onde caiu de 12,7% em setembro para 6% em novembro.
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